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Anna Kolhs Müller
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MensagemAssunto: Entrada/Saída   Qui 25 Dez - 16:38


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Emily Wittels. Braddock
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MensagemAssunto: Re: Entrada/Saída   Qui 25 Dez - 17:17


Your heart is untainable, even though, Lord knows, you have mine

– Eu quero morrer, Ana! – choraminguei ao telefone. Sim, eu meio que tinha roubado o carro de Ana, mas e dai? Eu devolvo mais tarde. A grifina tentava me acalmar do outro lado da linha, mas nada que ela dizia podia me impedir de parar de chorar. Sabia que meu cabelo já estava branco e meus olhos cheios de olheiras, por causa da droga da metamorfomagia que resolvera sair do controle pela primeira vez na minha vida toda logo agora. Ok, já saíra do controle algumas outras vezes, mas só quando eu estava sozinha no quarto. – Não perguntei o que você acha, eu disse que quero e ponto! – reclamei com Anabelle. Já estava conseguindo alcançar a saída do condomínio quando um maluco resolveu que queria atravessar e pulou na minha frente e quando eu quis continuar andando com o carro, ele se virou para este e estendeu as mãos como se fosse um sinal de pare, se apoiando no capô. E o pior de tudo, era uma das últimas pessoas que eu queria ver agora: Joshua. Ele ia perguntar onde minha cabeça estava e eu não ia conseguir dizer. E pra piorar, ele ficava me olhando com aquela expressão de interrogação. Lembrei da metamorfomagia e prendi a respiração, voltando ao normal. Não que prender a respiração ajudasse em algo, mas era um costume, como se fizesse com que eu me concentrasse. – Já te ligo. – pedi pelo celular, mas Ana surtou. – EU NÃO ESTOU INDO ME SUICIDAR, RELAXA. – respondi, irritada. Na realidade, era ela quem estava me irritando quando meu dia já estava uma droga. Desliguei o telefone e em seguida o carro, parando no meio do caminho mesmo - o carro nem era meu então meio que dane-se - e desci. Josh contornou o carro até onde eu estava e parou na minha frente, como se esperasse uma explicação. Eu achei aquilo um absurdo, claro. – O que que você tem, tá me achando bonita, é? – perguntei, já de saco cheio, descontando toda a frustração do meu dia em cima do lufano. Ele veio com aquele tom de surpresa, constatando que eu era metamorfomaga. – Ah é mesmo? Conte-me mais sobre isso. – pedi ironicamente, revirando os olhos e saindo de perto do carro, me sentando em um dos trilhões de bancos que estavam espalhados pelo condomínio. Cruzei os braços e as pernas, como uma verdadeira princesinha mimada que teve que dividir seu brinquedo favorito. Espera, era assim que eu podia definir o que estava acontecendo? Josh chegou e se sentou ao meu lado. Que saco, será que ele não podia ir embora? Eu não queria contar a ele o que estava acontecendo, nem correr o risco da raiva subir a cabeça e de acabar beijando-o para me vingar de Piper. Mas talvez não fosse vingança se ela não gostasse mais dele... Afinal, era com Leo que ela tinha passado a noite. Suspirei. – Nunca contei porque... Porque eu vejo como todo mundo trata a minha irmã. Não queria que se repetisse comigo. – respondi a sua pergunta. Ele parou, pensando, olhando além e concordando. Eu não devia tê-lo lembrado de Piper, mas tinha o feito. Ele até que era bonitinho, pensando desse jeito... Leo e Piper tinham seguido em frente, será que não era um sinal do universo dizendo que eu e Josh devíamos fazer o mesmo? Mas Piper ainda era algo não resolvido para ele, era visível. Talvez quando fosse algo resolvido nós devêssemos tentar ser os dois que "irritam" ao invés de ser os "irritáveis". Então ele se virou e fez a pergunta que eu não queria que fizesse. – Você devia conversar com a Piper. Pergunte a ela. Seria mais justo. – sugeri, me levantando num suspiro. Depois, fiz algo que surpreendeu até a mim mesma. Me abaixei de novo, na altura dele e beijei-o. Não um beijo de verdade, só um toque de lábios. Me afastei e mordi o lábio, respirando fundo, de olhos fechados. – Pode usar isso como argumento na sua conversa com ela. Vai querer usar, acredite em mim. – disse, me levantando. – Não se preocupe comigo, vou voltar pra casa da Julie. Boa sorte. – conclui a conversa, me virando e entrando no carro. Dei a ré e fiz um retorno que eu mesma criei, de volta para a casa de Julietta.
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